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Confesso
“Confesso que sou uma pessoa extremamente complicada, e é muito difícil lidar comigo. Sou extremamente inconstante: às vezes quero gritar, outras vezes não suporto sequer ouvir a minha voz; às vezes acho que não tenho qualquer conteúdo e sou uma pessoa a preto e branco, outras vezes pareço extremamente sociável e colorida; às vezes rio à toa, outras vezes me dói a alma em ter que esboçar um mero sorriso; às vezes não tenho o mínimo de vergonha, outras vezes não consigo trocar um olhar com um estranho; às vezes odeio o mundo e as pessoas que me rodeiam, outras vezes acho que estou me precipitando em generalizar; às vezes me encontro feliz pois consigo escolher meus amigos, outras vezes acho que sou a pessoa mais solitária na face da Terra; às vezes acho que odeio, outras vezes acho que amo e em ambas as vezes, quase sempre, mudo de opinião; às vezes me acho ignorante por ter errado, outras vezes me acho inteligente por ter aprendido com o tombo; às vezes me sinto totalmente dependente de algo ou de alguém, outras vezes não quero nem ouvir uma respiração que não a minha; às vezes não quero dormir, outras vezes quero acordar; às vezes acho que tudo chegou ao fim, outras vezes acho que estou apenas começando; às vezes sou o ser humano mais inseguro que você possa imaginar, outras vezes sou um poço de segurança, certeza e arrogância; às vezes - quase sempre - sinto demais, outras vezes nada me comove. Odeio decepcionar as pessoas que se importam comigo, mas nunca percebo o quanto consigo magoá-las com esse meu jeito meio sem jeito de ser.”
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